“Não jure que caminhará no escuro aquele que não viu o cair da noite”

Para mim é muito difícil falar sobre O senhor dos Anéis. Por mais que leia e releia, não me canso – pelo contrário – meu fascínio aumenta. Aproximo-me mais de cada personagem, entendo-os mais, o que eles representam,  me emociono com a história. Arrepio-me. Essa resenha será uma declaração de amor por um autor que me acompanha há algum tempo e cuja obra sempre me encantará (não tenho medo de usar o sempre, neste caso). É por isso que é tão difícil, entendem? Ela me envolve demais. E é por isso que não escreverei apenas uma resenha para a série toda, como costumo. Cada livro terá a sua.

O senhor dos anéis conta história da demanda para destruir O Um Anel. Ele foi achado por Bilbo Bolseiro – tio de Frodo e um hobbit inusitado, aventureiro – na caverna de Gollum (falarei dele mais tarde). A principio ele é visto como um anel mágico, que deixa quem o usa invisível. Algo extraordinário, mas apenas isso. Gandalf, o cinzento, é quem descobre que aquele anel não é nem de longe um ‘simples’ anel mágico. É O um Anel. Anel onde Sauron, o senhor do escuro, pôs parte do seu poder; Anel que este perdeu e que ficou desaparecido na escuridão das montanhas até que Bilbo o achasse; Anel que, se voltar às mãos do senhor do escuro, tornará Mordor inexpugnável e selará o destino de todas as raças livres da terra média; Anel que só pode ser destruído pelo fogo que o criou, nas forjas da Montanha da perdição, no coração das terras de Sauron, sob os olhos da Barad-dûr, a torre escura.

Essa então não é, de longe, uma tarefa fácil.

Primeiro pois Sauron, mesmo sem O Um, é muito poderoso. Tem olhos e ouvidos atentos por toda a terra-média. Seus servos – especialmente os espectros do anel – são acorrentados ao seu designo e levaram horror e morte aonde quer que ele ordene. Sua vontade corrompe seus aliados. E Sauron, sabendo que O Um não foi perdido fará qualquer coisa para tê-lo de novo por que sabe que com o Um Anel, ele é invencível. Quanto mais perto de Mordor, mais árdua se tornará a tarefa, pois cada vez maior será a influência e a vigilância do senhor do escuro.

Segundo devido à natureza do próprio Anel. Não pense que o Anel é apenas um objeto mágico. Nele está parte do espírito do próprio Sauron, de modo que a vontade de Sauron é a vontade do anel. Ele não é passivo, é algo maléfico que fará tudo para voltar às mãos de seu senhor. O Um anel corrompe qualquer um que não tenha a força de seu mestre. Sabe aquela brincadeirinha de invisibilidade? Não é tornar invisível, é fazer com que o portador desapareça, torne-se um espectro sob o eterno olhar do olho, fadado à escuridão. Assim como Sauron, O Um semeará desconfiança e trairá seu portador e quem quer que o acompanhe assim que houver possibilidade.

Então, é claro que quem melhor realizaria essa tarefa seria um grande senhor élfico, um bravo humano, um resistente anão ou um mago poderoso como Gandalf, certo? No entanto quem a faz é ninguém menos que Frodo Bolseiro. Um hobbit pacato que nunca saiu dos limites do Condado, que sente medo, que nunca realizou nada heróico. E como essa foi uma escolha feliz! Na primeira vez que li fiquei com certa raiva, talvez por ser muito nova para entender. Queria um Gil-Galad como portador, alguém poderoso, forte. Não que não gostasse de Frodo, sempre gostei, mas minha visão sobre ele mudou muito. Frodo era o melhor protagonista. Por sua própria pequenez (não literalmente, por favor ¬¬).

Mudou em relação aos hobbits no geral: tão resistentes, embora pacíficos; nos hobbits não há aquela aura de poder e bravura que encontramos nas outras raças, e essa é sua diferença. Eles têm o desespero e a união dos pequenos, me entendem? Por não serem nobres e orgulhosos, foram mais longe que qualquer homem ou elfo iria. A força deles está em sua simplicidade. Só mais tarde entendi por que esta era a raça favorita de Tolkien.

A Sociedade do anel começa no próprio Condado, quando ainda são os quatro hobbits levando o Anel para Valfenda. Ao passarem por Bri, são acompanhados por Passolargo, andarilho meio suspeito. E Em Valfenda eles se jutam a Gandalf, Boromir, Legolas e Gimli, formando a sociedade do anel. O livro termina *spoiller* com a comitiva se separando às margens do grande rio *fim do spoiller*

Este foi por muito tempo meu livro favorito da trilogia. O clima dele muda muito e é nele que estão algumas de minhas passagens favoritas. Os cavaleiros negros, por exemplo, adoro a descrição do terror que eles emanavam, sua respiração e seus grandes cavalos. E a passagem de caradhras… Inúmeras coisas. Como então elogiar este livro?

Talvez por sua própria narração – criticada por tantos. Para mim, é lindíssimo ver Tolkien descrever com a minúcia que ele escreve. O detalhe daquela folha de salgueiro é importante sim para compor a cena. Pois parece que ele trata cada parte do livro como um quadro: aquilo não é apenas para ser lido, para passar a história adiante. Está além. É para ser contemplado. E é graças a este detalhamento que cada parte do livro tem seu gosto, seu cheiro, sua musicalidade, suas cores. Suas palavras têm vida e transmitem sensações mil, sabem? Sempre que lembrar da floresta velha lembrarei de seu cheiro e sua iluminação. E mais, não acho que o texto perca sua fluidez por causa de suas descrições. Admito que não é um livro rápido, mas isso não é um defeito se você olhar bem.

Ou poderia falar dos trechos que mais gostei. Poderia falar da escuridão impenetrável de Moria, da beleza estonteante de Lórien e de valfenda, podia falar da colina dos túmulos, a canção sinistra dos mortos.

Poderia ainda citar os personagens: Frodo e Sam, a sua amizade, a lealdade de Sam (se bem que isto é assunto para os próximos livros); Gandalf, seu modo impetuoso sábio e amigável; Aragorn; Legolas e Gimli; os espectros do anel, o terror primitivo descrito quando eles aparecem; Sauron; Tom bombadil (o que raios é você?!); Elrond e Galadriel…

E mais, falar sobre o que há por trás de sua história. Se o enredo do senhor dos anéis é incrível, a mensagem dele não fica muito atrás. O anel do poder , significa só isso? Observe como ele corrompe quem o usa… O trecho da redenção de Galadriel deixa isso muito claro. Não é apenas uma história de fantasia construída com primor. Vai muito além disso, é um livro cheio de símbolos e mensagens. Sobre lealdade, coragem e fraqueza. 

Poderia falar muito mais, mas o que quer que eu fale não irá transmitir metade para vocês do que é A sociedade do anel, tão pouco a série. Nem o que ela representa para mim. É absurdo o alcance do livro, o modo como ele vai ganhando corpo com o passar do tempo, o que ele significa. É perfeito. Um clássico. Ao mesmo tempo delicado, épico, assustador. Como eu disse, falar sobre O senhor dos anéis é muito difícil.

 

P.S.: Perdoe-me por este monstro de tamanho que foi o post, tentem compreender a minha dificuldade. Admiro quem conseguiu lê-lo inteiro e prometo ser mais breve no das Duas Torres

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    • Douglas Diniz
    • 29 de junho de 2010

    Realmente, O senhor dos anés é uma obra primorosa. Gostei muito do sentimento que transmitiu à sua resenha, Alana. Realmente é um livro apaixonante. Espero que muitos leiam e sintam o que nós sentimos.

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