Não se esqueça de mover os pés

Arqueiros, sangue, alta idade média. Quando ouvir falar de Fora da Lei, pensei que não podia dar errado. É daqueles livros que você compra na segurança por que ele está em sua zona de conforto – não é um gênero novo ou um daqueles estilos que te agradam parcialmente. É seu território. E livros de arqueiros, sangrentos e medievais (como vocês devem ter notado pelo teor dos livros que já postei) estão por demais em minha zona.

Era ainda mais seguro por se tratar da história de Robin Hood. Nunca havia lido um livro sobre Robin, mas obviamente conhecia sua história por filmes e séries. Conhecia, gostava (não que morresse de amores) e sabia que daria um bom livro. Como disse, não haveria como eu não gostar.

E estava na lista de recomendações de Bernard Cornwell. Bernard Cornwell! Encontrei O imperador – série fantástica da qual já falei aqui – naquela lista de recomendações. É natural confiar no livros que um de seus autores favoritos indica, né?

Comprei-o então. E, bem, deu errado.

Antes, no entanto, de falar do livro sob minha ótica, falarei dele de uma maneira mais geral:

Fora da lei conta a história de Robin através da história de um de seus capangas, Alan: desde sua infância até o momento que se encontra – um velho a escrever sobre seu mestre em uma grande e confortável propriedade. Alan é um garoto miserável, órfão de pai que vive com a mãe em um casebre. Para ajudá-la ele rouba. E o faz muito bem. Até o dia em que é pego e, para não perder a vida, acaba por se juntar ao grupo de Robin. Ele é agora um fora-da-lei.

Bem, por onde começar? Falando do próprio Alan, acho. Alan é tedioso. Ele não surpreende, não interessa. Não sei, para mim, parece um personagem… morto. Não cativa o leitor, suas emoções não parecem genuínas. Acho que é isso: ele soa artificial. Mesmo seus dilemas, seu luto parecem forçados, não transmitem nada – diferente do que acontece com bons personagens. E, o fato de ele ser o narrador – como vocês devem imaginar – já faz com que o livro perca bastante.

Robin. Se o livro fosse bom ele seria aquele personagem que você idolatra. É um líder, tem atitude, é sanguinário. E isso seria mais forte ainda pelo fato da narração ser em primeira pessoa, e Alan adorar Robin. Não é o que acontece – pelo menos não aconteceu comigo. Mesmo com tudo isso, ele é fraco. Parece distante. Acho que o fato de ele ser sempre tão gentil com Alan faz com que ele perca sua aura. Alan é um pirralho e já participa de conselho de guerra. É amigo de Robin. É muito WTF pra mim. Muito rápido – parece que há um motivo para isso, algo em relação ao pai de Alan e Robin. Mas, como isso ainda não foi apresentado, essa é minha opinião. Infelizmente, Robin também não me cativou.

Marian é enfeite no livro. O cavaleiro templário poderia dar um bom personagem, daqueles sábios e gentis, mas é deixado de lado, da mesma forma que o frei (por falar em templários, o que RAIOS eles estão fazendo junto a Robin?!). O vilão da história e aqueles ligados a ele também não têm força. Praticamente os ignorei durante o livro. Vilões foram feitos para causarem ódio ou até admiração, mas indiferença? Bernard também tinha potencial, mas cai no estigma de todos os outros.

O que acontece é que personagem nenhum tem profundidade. Você termina o livro e eles continuam sendo desconhecidos para você. Eles não são contraditórios, vivos e marcantes como os bons personagens o são. Quando o são, carregam um tom tão artificial que toda magia se perde. Como se o autor quisesse dá profundidade a eles, mas deixa marcas – e assim, não convence.

Um exemplo disso é a relação entre Robin Hood e Alan: como eu já disse, Alan tem uma forte ligação com Robin. Mas, ele discorda de certas atitudes do seu mestre: Robin é sanguinário, frio, algo próximo a um pagão – o que não condiz com o bom cristão que Alan é. Relações que envolvem essa carga de sentimentos (amor, temor, raiva, incompreensão) sempre têm potencial.

Acho que essa coisa toda deve-se a velocidade dos acontecimentos. Tudo acontece muito rápido, de modo muito fácil e de maneira meio aleatória. Alan está em tal lugar e de repente vai pra tal lugar e então está em outro. O que acontece no livro não tem cadência, parece que as coisas são jogadas. Já falei pra vocês minha raiva a respeito de protagonistas rapazes ou crianças que aprendem muito fácil e superam tudo, não falei? Pois bem, Alan é assim e isso me irrita muito. Ele não tem um ano com os fora-da-lei e já se torna um importante espião. O pai dele podia ter sido amante de Robin, não justifica. É um cargo por demais importante para ser dado por afinidade. Mas não é só a respeito disso que me refiro quando falo na velocidade dos acontecimentos. *spoiler* quando a mãe dele morre, ou quando ele é torturado: ele passa por cima de maneira muito rápida. Não há aquele período natural de choque ou do que quer que seja. Não há marcas *fim do spoiler* Isso acaba com qualquer tentativa de personagem bem construído

Bem, quando a musica… Falar de música em livros me lembra do nome do vento, e isso me desanima para falar da música em Fora-da-lei. Não que seja ruim, achei uma das melhores, digo, “menos piores” partes, mas já estava muito impaciente para prestar atenção. Quando ao paganismo… Lembra-me das Brumas de Avalon e… é, vocês já entenderam o sentido da coisa.

Não foi uma boa resenha, mas foi assim por que realmente não gostei do livro. Prometo que a seguinte será melhor

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