Archive for the ‘ Livros ’ Category

“Mas os olhos eram cinza-prateados e repletos de luz: os olhos de um lobo”

Irmão lobo, primeiro volume das Crônicas das trevas antigas, conta a história de Torak e de lobo. Antes de falar deles, no entanto, vou falar do mundo em que se passa a história ­– a parte mais fascinante do livro pra mim (tanto que, como vocês verão, falei mais dele que do livro em si na resenha).

Estamos há uns seis mil anos, na Europa: o continente ainda está coberto de florestas. Os homens vivem em clãs, ainda não conhecem agricultura ou escrita. São coletores, caçadores. O livro transmite bem o que seria o ‘espírito da época’. As superstições, hierarquias, os clãs. Mas principalmente a ligação entre a floresta e seus moradores

Na verdade, acho que a integração com a floresta é o cerne do que chamo de ‘espírito da época’: não poderia ser de outra forma, afinal eles dependiam dela de uma forma bem extrema. Eram caçadores, coletores. Faziam parte dela como o veado e o javali. Continue lendo

Não se esqueça de mover os pés

Arqueiros, sangue, alta idade média. Quando ouvir falar de Fora da Lei, pensei que não podia dar errado. É daqueles livros que você compra na segurança por que ele está em sua zona de conforto – não é um gênero novo ou um daqueles estilos que te agradam parcialmente. É seu território. E livros de arqueiros, sangrentos e medievais (como vocês devem ter notado pelo teor dos livros que já postei) estão por demais em minha zona.

Era ainda mais seguro por se tratar da história de Robin Hood. Nunca havia lido um livro sobre Robin, mas obviamente conhecia sua história por filmes e séries. Conhecia, gostava (não que morresse de amores) e sabia que daria um bom livro. Como disse, não haveria como eu não gostar.

E estava na lista de recomendações de Bernard Cornwell. Bernard Cornwell! Encontrei O imperador – série fantástica da qual já falei aqui – naquela lista de recomendações. É natural confiar no livros que um de seus autores favoritos indica, né?

Comprei-o então. E, bem, deu errado. Continue lendo

“O homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás”

Já há algum tempo olhava a série d’A Torre Negra com certo interesse. Por um sem-numero de motivos nunca a iniciava: outras séries, outros autores, outras prioridades. Vocês entendem perfeitamente. Depois de muita enrolação, comprei o seu livro inicial, O Pistoleiro.

Pelo que entendi (mais tarde vocês entenderão minha ressalva), A Torre Negra conta a história de Roland, o último pistoleiro, e de sua busca pela… Torre Negra. E a Torre seria…? Seria… bem, o lugar fodão que a tudo controla. O Tempo, o Espaço, o Tamanho. O primeiro livro centra-se na perseguição ao homem de preto, Walter das Sombras, que parece ter algumas das respostas para as perguntas do pistoleiro. Respostas necessárias para que ele chegue à Torre.

Eu fiz aquela ressalva pois quase nada fica perfeitamente explícito no livro. Por exemplo, não sei – muito embora tenha boa idéia – por que o pistoleiro tem de chegar a Torre. Não sei por que ele é o último pistoleiro. Ou exatamente o que significa ser um pistoleiro. Não sei por que o homem de preto tem as respostas, tão pouco quem é o homem de preto. Tenho uma idéia de quem seja Roland, mas nada muito concreto. Continue lendo

“Sou a terra e os ossos dos morros. Sou o inverno.”

Não considerarei spoiller os fatos mais gerais da história do Cã, por que teria que parar para avisar muitas vezes. Seria como considerar spoiller dizer que Brutus traiu César, entendem? Se quiserem ir pra série sem saber nada (o que respeito), sugiro que não leiam, mas para quem vá leu os dois primeiros volumes isso não será problema. Bem, estão avisados.

A série O Conquistador (Conn Iggulden) conta-nos a história de Genghis Khan. E, meu Deus, que história! Acho que foi a personalidade que mais me impressionou, sinceramente. É absurdo, ao ponto de você imaginar até que ponto isso é verdadeiro. Que César e Napoleão me desculpem.

Vale a pena você conhecer, mesmo que não queira ler a série de Iggulden (até agora três livros), então vou tentar resumi-la para vocês. Temujin – seu nome de infância – nasceu na Mongólia, por volta da década de 1160. Neste tempo aquela terra era povoada por tribos rivais entre si, que viviam se engalfinhando. Cada uma era governada por um Cã. E filho de Cã, Temijin era. Certo dia seu pai, Yesuguei, é envenenado e morre. Como seus filhos poderiam reinvidicar o comando, o novo Cã deixa-os para morrer nas estepes sem gado, cavalos ou comida. E é assim, passando fome e contando apenas com o carisma que surge o homem que conquistou um território duas vezes maior que o império romano. Continue lendo

“Alas! It is ill to walk in my shadow! Why did I seek aid? For now you are alone, O Master of Doom, as you should have known it must be.”

The Children of Húrin é o mais recente livro publicado de Tolkien… Espere, isso merece uma explicação. Recente?! Há inúmeras anotações inéditas que Tolkien deixou. Nosso querido, louvado, Christopher Tolkien pegou a bagunça toda, foi juntando os pedaços e tchrãns! Eis o livro novo de um autor morto há tempos. Agradeçam-no!

Voltando ao livro… Húrin Thalion era um grandioso guerreiro que foi capturado por servos de Melkor na Nirnaeth Arnoediad, batalha das lágrimas incontáveis. Por não revelar a localização de Gondolin (e, assim, trair seus amigos) ao Senhor do Escuro, ele e sua família recebem uma maldição. Túrin e Niënor, seus filhos, crescem, vivem e morrem sob esta sombra. O livro então nos trás este conto: o de Túrin Turambar e sua sina. Fadado ao fracasso e a morte em tudo que fez e, apesar disso, senhor de alguns dos maiores feitos dos homens. É uma história triste. Fala de destino, poder e (por que não?) MUITO azar. Continue lendo

Justiça seja feita

                                                                                                                                                                      Segunda chance (James Patterson) é um romance policial, continuação de primeiro a morrer – embora um só seja dependente do outro em alguns detalhes. Nele a policial (agora Tenente) Lindsay Boxer tem de lidar com uma onda de crimes que só se equiparam aos das noivas, do livro anterior. Inicialmente, o Departamento de polícia de San Francisco supõe que sejam motivados por simples ódio racial, porém Tenente Boxer não acredita em uma hipótese tão simples.

Não leio muitos livros policiais, então não tenho com quem comparar, mas gostei bastante do Segunda chance. Sua narrativa é rápida, fluida e, quando necessário, brutal (apesar de ter achado Primeiro a Morrer com cenas mais fortes). Para mim, o enredo não foi muito surpreendente – não que ele seja ruim. Não me fez ficar abismada, mas me prendeu e teve lá suas reviravoltas (embora parte dessas já fosse prevista também). Capítulos rápidos, descrições não muito detalhadas (apenas dos crimes), livro rápido. Continue lendo

“Mas ela é a Rainha dos Condenados, e os condenados não podem viver sem ela”

 Se você não leu O Vampiro Lestat e quer ter uma leitura feliz deste desconhecendo o final (coisa que aconselho veementemente) não leia esta resenha

A Rainha dos Condenados (Anne Rice) conta os desdobramentos do despertar de Akasha, acordada pela música de Lestat no final do livro anterior, pelo ponto de vista de vários vampiros – Lestat inclusive.

Acabei hoje e, no final das contas, gostei do livro. Porém, não tanto quanto gostei d’O Entrevista e nem de longe como do d’O Vampiro Lestat. E até chegar no gostar passei da raiva ao tédio. Decepcionei-me um pouco. Digo, com parte da história, com as primeiras páginas. Como minha opinião mudou muito do começo para o fim, dividirei minha resenha em duas: antes do show e depois do show. Vocês logo entenderão. Continue lendo