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“Mas os olhos eram cinza-prateados e repletos de luz: os olhos de um lobo”

Irmão lobo, primeiro volume das Crônicas das trevas antigas, conta a história de Torak e de lobo. Antes de falar deles, no entanto, vou falar do mundo em que se passa a história ­– a parte mais fascinante do livro pra mim (tanto que, como vocês verão, falei mais dele que do livro em si na resenha).

Estamos há uns seis mil anos, na Europa: o continente ainda está coberto de florestas. Os homens vivem em clãs, ainda não conhecem agricultura ou escrita. São coletores, caçadores. O livro transmite bem o que seria o ‘espírito da época’. As superstições, hierarquias, os clãs. Mas principalmente a ligação entre a floresta e seus moradores

Na verdade, acho que a integração com a floresta é o cerne do que chamo de ‘espírito da época’: não poderia ser de outra forma, afinal eles dependiam dela de uma forma bem extrema. Eram caçadores, coletores. Faziam parte dela como o veado e o javali. Continue lendo

“Sou a terra e os ossos dos morros. Sou o inverno.”

Não considerarei spoiller os fatos mais gerais da história do Cã, por que teria que parar para avisar muitas vezes. Seria como considerar spoiller dizer que Brutus traiu César, entendem? Se quiserem ir pra série sem saber nada (o que respeito), sugiro que não leiam, mas para quem vá leu os dois primeiros volumes isso não será problema. Bem, estão avisados.

A série O Conquistador (Conn Iggulden) conta-nos a história de Genghis Khan. E, meu Deus, que história! Acho que foi a personalidade que mais me impressionou, sinceramente. É absurdo, ao ponto de você imaginar até que ponto isso é verdadeiro. Que César e Napoleão me desculpem.

Vale a pena você conhecer, mesmo que não queira ler a série de Iggulden (até agora três livros), então vou tentar resumi-la para vocês. Temujin – seu nome de infância – nasceu na Mongólia, por volta da década de 1160. Neste tempo aquela terra era povoada por tribos rivais entre si, que viviam se engalfinhando. Cada uma era governada por um Cã. E filho de Cã, Temijin era. Certo dia seu pai, Yesuguei, é envenenado e morre. Como seus filhos poderiam reinvidicar o comando, o novo Cã deixa-os para morrer nas estepes sem gado, cavalos ou comida. E é assim, passando fome e contando apenas com o carisma que surge o homem que conquistou um território duas vezes maior que o império romano. Continue lendo